quinta-feira, 15 de julho de 2010

MITO OU VERDADE?


Dormir Pouco...ENGORDA?

Você sente que quando dorme pouco acorda com uma fome de leão? E ainda por cima, sente vontade de comer alimentos super calóricos? Não se assuste, pois estudos comprovam que um sono limitado pode mesmo provocar o aumento da fome.

Os principais hormônios reguladores do apetite são a leptina e a grelina (2 a 6). A leptina é produzida principalmente no tecido adiposo (gorduroso) e é responsável por diminuir a sensação de fome ao atuar no cérebro “avisando quando o organismo está satisfeito”, controlando, dessa forma, a ingestão alimentar e promovendo também o aumento do gasto energético (a queima de calorias) (4). Já a grelina tem o efeito oposto, pois quando liberada pelo estômago estimula o apetite. Além disso, ela define se as calorias devem ser queimadas ou armazenadas (1,4). A concentração de leptina no sangue varia de pessoa para pessoa, mas seu pico de liberação ocorre sempre durante a noite (no sono) e às primeiras horas da manhã. Já a grelina é menos secretada nesse tempo, pois é quando o organismo necessita menos de energia, e é liberada sempre que o estômago fica vazio para “informar ao cérebro que o corpo necessita de energia” (2,3).

Uma pesquisa feita por Spiegel e colaboradores no Centro de Pesquisa Clínica da Universidade de Chicago, a fim de descobrir se há uma associação entre a falta de sono e mudanças na regulação do apetite, mostrou que, se você dormir pouco, seus níveis de leptina (que diminui a sensação de fome) irão diminuir e os de grelina (que estimula o apetite) irão aumentar, consequentemente você sentirá mais fome, principalmente por comidas calóricas e com alto teor de carboidratos (2). Além dessa, outras pesquisas vêm sendo realizadas com o objetivo de entender como o tempo de duração do sono afeta o nosso organismo. As pessoas cujo sono habitual dura menos de cinco/seis horas por noite, segundo os estudos, apresentam maiores chances de ganhar peso do que aquelas que dormem cerca de oito horas, fato que pode ser explicado pela atuação dos hormônios já citados (2 a 5).

Mas, afinal, dormir pouco, de fato, ENGORDA? Um “sim” ou um “não” como resposta para essa pergunta são, sem dúvida alguma, muito restritos. É fato que a duração limitada do sono aumenta o apetite. No entanto, engordar ou não é apenas uma consequência, e vai depender de muitos outros fatores como a prática de atividade física e questões de ordem cultural, comportamental, psicológica e genética. Assim, de forma geral, se você dorme pouco e ainda não pratica atividades físicas regularmente, nem tem uma alimentação adequada, balanceada, se entrega fácil e frequentemente às tentações dos doces, frituras e outros petiscos, é bem provável que você engorde. Caso contrário, talvez não. No entanto, é sempre bom prevenir, não é? Então procure praticar atividades físicas de forma regular e manter uma boa alimentação. Em relação ao sono, tente organizar suas atividades diárias para que esse tempo de repouso não seja prejudicado, isto é, para que você possa dormir a quantidade adequada de horas por noite (cerca de oito). Com essas medidas, além de uma melhor disposição para realizar suas atividades, você ainda consegue diminuir a probabilidade do aparecimento das indesejáveis gordurinhas extras.


Letícia Dantas Hora
Nayara Bispo Macedo
Raísa Conceição Ferreira
Wilker Robert Corumba Braga

Graduandos do curso de Nutrição da Universidade Federal de Sergipe (UFS)



 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 – VAN DER LELY, A. J.; TSCHOP, M.; HEILMAN, M. L.; GHIGO, E. Biological, physiological, pathophysiological, and pharmacological aspects of ghrelin. Endocrine Reviews. Department of Internal Medicine, Erasmus Medical Center, Rotterdam, 25 jun. 2004. Disponível em: . Acesso em: 31 maio. 2010.

2 – SPIEGEL, K.; TASALI E.; PENEV, P.; VAN CAUTER, E. Brief communication: Sleep curtailment in healthy young men is associated with decreased leptin levels, elevated ghrelin levels, and increased hunger and appetite. Annals of internal medicine. University of Chicago, Illinois, 7 dez. 2004. Disponível em: . Acesso em: 31 maio. 2010.

3 – TAHERI, S; LIN, L.; AUSTIN, D.; YOUNG, T.; MIGNOT, E. Short sleep duration is associated with reduced leptin, elevated ghrelin, and increased body mass index. Howard Hughes Medical Institute, Stanford University, Palo Alto, California, USA, 1 dez. 2004. Disponível em: . Acesso em: 2 jun. 2010.

4 – PRINZ, P. Sleep, appetite, and obesity - what is the link? Department of Psychiatry and Behavioral Sciences, University of Washington, Seattle, Washington, USA, 1 dez. 2004. Disponível em: . Acesso em: 2 jun. 2010.

5 – NEDELTCHEVA A. V.; KILKUS, J. M.; IMPERIAL, J.; KASZA, K.; SCHOELLER, D. A.; PENEV, P. D. Sleep curtailment is accompanied by increased intake of calories from snacks. The American journal of clinical nutrition. Department of Medicine, The University of Chicago, Chicago, IL, 3 dez. 2008. Disponível em: . Acesso em: 2 jun. 2010.

6 – CRISPIM, C.A.; ZALCMAN, I.; DÁTTILO, M.; PADILHA, H. G.; TUFIK, S.; MELLO, M. T. Relation between sleep and obesity: a literature review. Arquivos brasileiros de endocrinologia e metabologia. Departamento de Psicobiologia, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, out. 2007. Disponível em: . Acesso em: 2 jun. 2010.